«Chamo-me Fátima* e sou avó de Miguel António. Esta é a nossa história, uma história de dor, aprendizagem e muita esperança.»
Contexto inicial
«Vivemos no bairro de Ligonho Expansão*. Miguel tem dois anos e vive com a mãe e comigo. Em janeiro de 2025, recebemos uma notícia que mudou completamente as nossas vidas: Miguel e a sua mãe foram diagnosticados com VIH.»
Após o diagnóstico, Miguel começou imediatamente o tratamento antirretroviral num centro de saúde local. Apesar do acesso à medicação, a saúde da criança começou a deteriorar-se.
«Embora estivesse a tomar a medicação, eu percebia que o meu neto não estava a melhorar. Pelo contrário, ele estava a ficar mais fraco, e isso partia-me o coração.»
Situação antes da intervenção
«Naquela altura, Miguel não conseguia andar nem falar como as outras crianças da sua idade. Estava muito magro, tinha feridas na cabeça, secreção nos ouvidos e o cabelo estava a começar a cair.»
A situação familiar contribuiu para o agravamento do seu estado. A avó e a mãe, principais sustentadoras da família, saíam de casa muito cedo para trabalhar nos campos.
«Saíamos de madrugada e deixávamos o Miguel com as outras crianças. Elas faziam o que podiam, mas não podiam garantir a higiene nem dar-lhe a medicação a horas.»
Esta realidade teve um impacto direto na adesão ao tratamento.
«Houve momentos em que senti que estava a falhar como avó e cuidadora. Via o meu neto a piorar e não sabia o que fazer.»
Início da intervenção do projeto FILOVC-AMASI
Em março de 2025, a situação começou a mudar com o lançamento do Projeto FILOVC–AMASI, implementado pela organização OVARELELANA. Miguel foi inscrito no programa e começou a ser acompanhado por um gestor de caso, identificado aqui como Sr. João Manuel (nome fictício).
“Quando o gestor de caso chegou à nossa casa, senti que finalmente alguém estava a ouvir-nos e a compreender-nos.”
Desde o primeiro contacto, o gestor identificou que o principal desafio não era apenas a doença, mas as dificuldades da família em manter uma rotina de cuidados adequada.
«Ele explicou-nos, com muita paciência, que o mais importante era dar a medicação à mesma hora todos os dias e manter a higiene do Miguel.»
Acompanhamento da família e apoio contínuo
O gestor de caso começou a fazer visitas regulares à casa, reforçando práticas essenciais de cuidados infantis e adesão ao tratamento.
“Descobrimos que a melhor hora para dar a medicação era às 18h, porque a essa hora a mãe dele e eu já estávamos em casa. Isso fez toda a diferença.”
Durante vários meses, o acompanhamento foi intensivo, incluindo visitas frequentes para garantir que a medicação fosse tomada corretamente. Miguel também foi encaminhado para outros serviços de saúde, com atenção especial à nutrição.
“Começámos a receber suplementos nutricionais e explicaram-nos como alimentar melhor o Miguel. Aos poucos, aprendemos a cuidar melhor dele.»
Mudança visível e recuperação
Após cinco meses de acompanhamento contínuo, os resultados tornaram-se evidentes.
«Comecei a ver o meu neto mudar. As feridas começaram a sarar e ele voltou a brincar, a falar e a sorrir. Foi como um milagre para nós.»
Mesmo após a melhoria do seu estado clínico, o acompanhamento continuou.
“O gestor continuou a visitar-nos para garantir que não cometêssemos os mesmos erros novamente. Isso deu-nos muita confiança.”
No final de setembro de 2025, o apoio psicossocial foi reforçado, ajudando a família a compreender melhor o HIV e a importância de continuar o tratamento.
“Hoje entendemos que o HIV não é o fim da vida. Com os cuidados adequados, é possível viver bem.”
Situação atual e impacto
«Hoje, o Miguel é uma criança cheia de vida. Não tem feridas, brinca, corre e é saudável. Quem o vê agora nunca imaginaria o que ele passou.»
A família sente-se mais confiante, informada e emocionalmente fortalecida.
«Não recebemos apenas medicamentos. Recebemos apoio, orientação, carinho e dignidade.»
«Estou profundamente grato à OVARELELANA e ao Projeto FILOVC–AMASI. Eles não só mudaram a vida do meu neto, como também mudaram a vida de toda a nossa família.»
A história de Miguel demonstra o impacto de uma abordagem integrada, centrada na criança e na família, que combina cuidados de saúde, apoio psicossocial e apoio comunitário.
«Como avó, sinto uma alegria imensa quando vejo o meu neto saudável e esperançoso em relação ao futuro.»

