Teresa é uma jovem de 24 anos que vive no bairro de Josina Machel, na cidade de Pemba. A sua infância foi marcada por desafios. Quando era criança, a sua mãe levou-a para viver com a avó no bairro de Gingone. Durante esses anos, Teresa viveu com as suas tias — filhas da sua avó — que tinham acesso à escola, enquanto ela não. Sempre que perguntava à avó por que não podia estudar, a resposta era sempre a mesma: não havia meios financeiros para sustentar a sua educação.
Durante nove anos, Teresa viu o seu direito à educação negado e sentiu-se presa a uma vida dedicada exclusivamente às tarefas domésticas e à venda de bolinhos na rua. Enquanto vendia bolinhos, observava outras crianças brincando e indo à escola, o que a enchia de tristeza e frustração. Tomando as rédeas da situação, começou a vender gelados, usando as pequenas moedas que a avó lhe dava.
Aos 15 anos, com coragem e determinação, Teresa decidiu mudar o rumo da sua vida. Matriculou-se num centro de alfabetização, apesar de se sentir desconfortável numa turma com alunos mais velhos. O desejo de aprender superou o desconforto. Mais tarde, ela procurou ajuda na Escola Primária Alto Gingone. O professor Xavier, comovido com a sua história, conseguiu matriculá-la numa turma diurna adequada à sua idade. Isso marcou o verdadeiro início da jornada educacional de Teresa.
Durante esse período, ela foi abordada por um mentor do programa DREAMS, parte do projeto USAID FILOVC-AMASI. Após uma avaliação de vulnerabilidade, Teresa foi convidada a participar no programa. Ela aceitou, vendo isso como uma oportunidade de sonhar e acreditar em si mesma. Nas sessões de discussão, ela aprendeu sobre prevenção do HIV, violência contra mulheres ou crianças e educação financeira. Ela identificou-se com as histórias partilhadas nos grupos, especialmente aquelas relacionadas à violência, e tornou-se mais resiliente ao perceber o impacto prejudicial da violência contra mulheres ou crianças na sua vida e na de outras meninas. Persistente, Teresa nunca faltou a uma sessão. Um facilitador do DREAMS convidou-a a participar do modelo Siyakha, um programa de empoderamento económico que oferece formação profissional a meninas vulneráveis. Teresa escolheu o curso de pastelaria, motivada pela sua paixão pela culinária e pela sua experiência em fazer bolinhos para vender a fim de financiar os seus estudos.
Depois de concluir as sessões de habilidades para a vida, Teresa esperou três meses antes de ser chamada para a formação profissional. A espera foi angustiante, mas ela manteve contacto com o facilitador, que a encorajou durante todo o processo. Um dia, recebeu uma notícia que mudou a sua vida: foi convidada a participar numa feira económica, onde conheceu o formador do curso de pastelaria.
Durante três meses, dedicou-se ao curso e, no final, começou um estágio num dos maiores hotéis da cidade de Pemba, o Hotel Raphael. Esta experiência abriu portas inesperadas. Teresa, que anos antes não sabia ler nem escrever, agora tinha concluído o 12.º ano enquanto recebia encomendas de bolos e doces. O seu esforço e determinação transformaram-na numa pasteleira habilidosa e confiante, tanto que foi contratada pelo Hotel Raphael, onde tinha estagiado anteriormente.
Hoje, Teresa sonha com um futuro melhor. Ela planeia continuar a trabalhar como pasteleira e, um dia, abrir a sua própria pastelaria. O seu objetivo não é apenas o sucesso pessoal, mas também ajudar outras jovens a superar as adversidades da vida, partilhando o que aprendeu e incentivando-as a iniciar os seus próprios negócios.
A história de Teresa é uma prova do impacto transformador do programa DREAMS da USAID FILOVC-AMASI. Ela recuperou a sua autoestima, reacendeu os seus sonhos perdidos e encontrou um caminho para o futuro, tornando-se um exemplo de determinação, resiliência e empoderamento. Teresa está profundamente grata à USAID FILOVC-AMASI e ao programa DREAMS por esta oportunidade, acreditando que continuará a transformar vidas.
«Sou a prova viva de que os sonhos podem ser recuperados. Obrigada à AMASI e ao programa DREAMS, obrigada!»

