Junito, um adolescente, vivia uma realidade marcada pela perda, abandono e doença. Órfão de ambos os pais, foi diagnosticado com VIH em 19 de julho de 2018 e apresentava uma carga viral extremamente alta (355.000 cópias/ml). Após a morte da mãe, ficou aos cuidados do pai, que também tinha VIH e tuberculose, mas rejeitou o tratamento e teve uma influência negativa na adesão do filho à medicação. O resultado foi trágico: Junito abandonou os estudos e o tratamento, desenvolveu dermatite grave, negligenciou a higiene e começou a isolar-se socialmente.
Foi nesse cenário crítico, em 16 de novembro de 2022, que o Projeto FILOVC-AMASI, por meio da gestora de casos Regina Abubacar, da Associação OVARELELANA-AFOC, parceira de implementação do projeto, entrou na vida de Junito com uma intervenção firme e transformadora. Com persistência, visitas regulares e cuidados humanos e próximos, Regina conquistou a confiança da família, incluindo do pai, que inicialmente resistia. O acompanhamento insistente, parte do modelo de apoio contínuo do FILOVC-AMASI, reforçou a adesão ao tratamento, melhorou os cuidados de higiene e trouxe estabilidade emocional. Após a morte do pai, em abril de 2024, Junito foi acolhido pelo tio paterno, que foi devidamente orientado e envolvido no processo de cuidados e acompanhamento.
Num momento delicado, quando o irmão mais velho queria levá-lo para outra província, o gestor de caso e o supervisor do Projeto FILOVC-AMASI intervieram com firmeza. Eles argumentaram sobre a importância de continuar o tratamento localmente. O irmão aceitou e o acompanhamento continuou. O envolvimento da família ficou mais forte: o tio começou a garantir o cumprimento das consultas médicas, forneceu alimentos e higiene diária.
Com o tempo e o esforço conjunto, os resultados tornaram-se visíveis. Junito alcançou uma carga viral indetetável, superando os níveis críticos anteriores. Recebeu apoio do fundo de emergência social do projeto, o que lhe permitiu comprar medicamentos e produtos de higiene, o que transformou o ambiente familiar. Em conjunto com os serviços de educação, também promovidos pelo FILOVC-AMASI, foi reintegrado na escola, regressando ao 2.º ano, agora com esperança e objetivos renovados.
Hoje, Junito vive com o seu irmão mais velho em Mieze, para onde foi transferido em agosto de 2024. Continua a ser acompanhado pela equipa do Projeto FILOVC-AMASI, e a ligação com o gestor de caso permanece ativa. Segundo ele, Regina salvou-lhe a vida e devolveu-lhe a autoestima. Agora saudável e integrado, Junito sonha em tornar-se enfermeiro para ajudar outros jovens como ele.
«OVARELELANA mudou a minha vida. Antes, eu passava os dias na cama, fraco, cheio de feridas com mau cheiro e sem amigos. Hoje, estou saudável, sem febre nem tosse, e vou voltar à escola para realizar o meu sonho de me tornar enfermeiro. Quero ajudar outros jovens como fui ajudado», agradeceu Junito.
A sua história é um testemunho vivo do impacto do projeto FILOVC-AMASI, que, com cuidado, escuta ativa e persistência, restaura a dignidade, reacende sonhos e transforma realidades. Junito é hoje a prova de que, quando existe um sistema que protege, orienta e acompanha, mesmo os mais vulneráveis podem reescrever o seu próprio destino.

